domingo, 29 de março de 2015

Centro de documentação nazista de Colônia (EL-DE Haus)

10 comentários :
Visitei o Centro de documentação nazista, para poder escrever essa postagem que faz parte de uma blogagem coletiva da RBBV, onde muitos blogueiros escreveram sobre museus espalhados pelo mundo.

O EL-DE Haus, que é o nome do Centro de documentação nazista, é um museu na cidade de Colônia, na Alemanha, que possui um grande arquivo com muita documentação nazista. Fica no prédio onde era a sede da Gestapo (polícia alemã nazista) durante a Segunda Guerra Mundial.
Esse tema é sempre polêmico, tem quem goste e quem não. Me interesso muito, e acho que é sempre bom nos informar sobre.
Então vamos ao museu!!

Começarmos a visita pelo subsolo, onde existem 10 celas que são mantidas como originais, como eram durante a Segunda Guerra.

Centro de documentação nazista

Nessas celas ficavam prisioneiros políticos, que depois de interrogados, eram mortos ou deportados para algum campo de concentração.
No final da Segunda Guerra, chegaram a ficar 23 pessoas dentro dessa minúscula cela.

Centro de documentação nazista
Essa janela era a única luz do sol que eles tinham

Eles eram retirados 2 vezes ao dia para irem ao banheiro. Na cela era mantido um balde, onde eram feitas as necessidades fisiológicas, durante o restante do tempo, Portanto, além de pequena, a cela fedia.
As celas foram mantidas como originais, entao podemos encontrar muitas coisas escritas nas paredes pelos presos.

Centro de documentação nazista


Centro de documentação nazista
"Quando ninguém pensa em você
Sua mãe pensa em você"

Ainda um andar abaixo, fica um Bunker, que é um abrigo anti-bombas. Nele ficavam apenas os oficiais, os presos permaneciam nas celas.
Esse local servia também como sala de tortura, pois como é bem no subsolo, o barulho das pessoas sendo torturadas não podia ser ouvido por quem passasse na rua.

Centro de documentação nazista

No início, os oficiais da Gestapo precisavam de autorização de Berlim para executar os prisioneiros, mas com a aproximação do final da Guerra, eles ganharam autonomia. No inicio de Janeiro de 1945, eles começaram a chamar os presos pelos nomes e levar para execução, eram chamados até 7 nomes por vez. Estima-se que aproximadamente 100 pessoas foram mortas por dia.
As vítimas eram enforcadas e depois os corpos eram queimados, mas também se supõe que os presos eram queimados vivos. A última execução aconteceu 6 dias antes dos americanos chegarem em Colônia, e os oficiais não tiveram tempo para queimar os corpos. Foram encontrados 10 corpos, entre eles, o de um garoto de 15 anos.
Um único preso conseguiu fugir desse local, o nome dele é Askold Kurov, que fugiu por uma pequena janela, enquanto o guarda foi atender ao telefone.

Centro de documentação nazista
Askold fugiu por essa pequena janela

Centro de documentação nazista
Foto de quando Askold e sua esposa visitaram o local em 1989

Ele fugiu e conseguiu voltar para Moscou, seu local de origem. Chegando lá foi denunciado e deportado novamente para Colônia, onde ficou preso no mesmo local. Quando a guerra acabou, ele foi obrigado a se mudar para o lado oriental, que era comandado pela União Soviética, e foi forçado a trabalhar por 4 meses, tendo sido também acusado de traição, por colaborar com os alemães nazistas. Conseguiu voltar para sua casa na Rússia, apenas em 1946.
Durante o tempo que ele ficou preso, encontrou um amigo de infância na mesma prisão. Este amigo estava preso desde 24.12.1944, e a data do encontro foi 03.02.1945, o amigo disse que as interrogações já estavam chegando ao fim e que estava chegando a vez deles serem executados. Esse amigo escrevia na parede para que as pessoas que o conhecessem contassem a todos que ele havia morrido ali. Ele escrevia datas nas paredes e foi encontrada uma inscrição assim: "hoje é 04.02, 05.02, 06.02, 07.02, 08.02, 09.02, 10.02.....e nesse dia acabou.

Depois de visitar o subsolo, fui para o primeiro andar.
No primeiro e segundo andar, encontra-se muita documentação e informações sobre o Partido Nacional-Socialista, como eles chegaram ao poder, como eles persuadiram a população até chegar a guerra. E depois fotos e informações de toda a destruição que a guerra causou.
O Partido começou a ganhar poder a partir de 1928, por causa da crise causada após a Primeira Guerra Mundial.
Nessa parte do museu, encontramos cartas que foram escritas para Hitler, muitas fotos e até um cartaz de propaganda poítica, para votarem no Hitler nas eleições.
Tem uma sala com vídeos dos discursos de Hitler, e todas as visitas que ele fez a Colônia.

Centro de documentação nazista
Folheto explicativo sobre como votar nas eleições de 13 de março

Centro de documentação nazista
Sede do partido
Observem o detalhe da faixa no topo do prédio: "Os judeus são nossa infelicidade"

Centro de documentação nazista
Medalha dada as mães que tivessem no mínimo 4 filhos

Centro de documentação nazista
Propaganda para que alemães não comprassem em lojas de judeus

Centro de documentação nazista
Estrela de tecido que todos os judeus foram obrigados a usar
Não foram somente os judeus que foram vítimas do nazismo durante a segunda guerra, mas também ciganos, homossexuais, pessoas com deficiências físicas e mentais, além de inimigos políticos.

Centro de documentação nazista
Nomes de alguns campos de concentração
Esse livro ao lado contém nomes de vítimas, mas também é importante lembrar que muitas ainda são  desconhecidas

Centro de documentação nazista
Bilhetes que eram feitos por grupos da resistência, que eram contra Hitler
Nesse bem aqui embaixo está escrito: Quanto tempo ainda Nazi-Terror?

A cidade de Colônia foi muito bombardiada e ficou praticamente destruída

Centro de documentação nazista
Estação central de trem de Colônia

Centro de documentação nazista
As torres da Catedral ao fundo da foto e o restante da cidade destruída

Centro de documentação nazista
A famosa ponte da cidade

Centro de documentação nazista
Na placa está escrito: "Me dê 5 anos e vocês não reconhecerão a Alemanha novamente"

Centro de documentação nazista


O museu é grande, e ficamos nele por aproximadamente 4 horas, muito mais do que imaginávamos. Eles realmente possuem muitas informações sobre os acontecimentos da Segunda Guerra Mundial. No final, acabamos vendo algumas coisas mais rapidamente, então vale a pena uma segunda visita!!


Espero que tenham gostado desse museu tanto quanto eu!!

Mais informações sobre o Centro de documentação nazista EL-DE Haus

O Centro de documentação nazista fica bem próximo a estação principal de trem de Colônia e é super fácil de achar.
A visita custa 4,50€, e uma dica é pegar o Áudio-guia, ele custa apenas mais 2€ e está disponível em 8 idiomas: inglês, espanhol, hebraico, polonês, holandês, russo, francês e claro, alemão. Quase todos os lugares do museu tem uma explicação no áudio-guia o que deixa a visita ainda mais interessante com tantas informações extras. Vale muito a pena.
O museu está aberto de terça a sexta-feira das 10 às 18 horas, sábado e domingo das 11 as 18 horas.
Para mais informações, acesse o site do museu clicando aqui.


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Blogs Participantes
Confira outros blogs que estão participando da Blogagem Coletiva da RBBV MuseumWeek:

Américas:

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André Morato - Blog Meu Destino - Inhotim (Brumadinho - MG)
Antonio Rômulo Jr. - Retrip Viagens - Museu de Arte Sacra (São João Del Rey - MG)
Andrea Barros - Do RS para o Mundo - Museu Histórico de Veranópolis (Veranópolis -RS)
Eloah Cristina - Marola com Carambola - Memorial da Resistência de São Paulo (São Paulo - SP)
Carmem Batista - O que vi do Mundo - Museu do Futebol (São Paulo - SP)
Talita Marchao - Me Deixa Ser Turista - Pinacoteca, Estação Pinacoteca, Dops e Museu da Língua Portuguesa (São Paulo - SP)
Cristiane Rangel - Pequeno Grande Mundo - Museu de Ciências Naturais do Bosque da Ciência - INPA (Manaus - AM)
Jamille Andrade - Rascunhos de Fotografia - Museu do Ceará, MAUC e Museu do Humor (Ceará)
Julia Motta - Quebrei a Bússola - Museo del Holocausto (Buenos Aires - Argentina)
Thiago Busarello - Vida de Turista - MALBA (Buenos Aires)
Camila Faria - E aí, Férias - American Museum of Natural History (Nova Iorque - Estados Unidos)
Liliane Inglez - Trilhas e Cantos - Museu Chileno de Arte Pre Colombino (Santiago - Chile)
Cynara Vianna - Cantinho de Ná - Instituto Ricardo Brennand (Recife - PE)
Andrea e Luciano - Malas e Panelas - Vizcaya Museum and Gardens (Miami - Estados Unidos)
Mariana e Augusto - Embarque Portão 5 - Museo de Las Casas Reales (Santo Domingo - República Dominicana)
Francine Agnoletto - Viagens que Sonhamos - Field Museum (Chicago - Estados Unidos)
Camila Lisboa - O Melhor Mês do Ano - Tumbas Reales de Sipan (Chiclayo - Lambayeque, Peru)
Camila Torres - Colecionando Ímãs - Os Museus de Arte de Brasília (Distrito Federal)


Europa:

Paula Augot - No Mundo da Paula - Museu Tate Modern (Londres - Inglaterra)
Heloisa Righetto - Aprendiz de Viajante - 5 museus não tão conhecidos para visitar em Londres (Londres - Inglaterra)
Carol Pascual - Londres com crianças - Museum of London (Londres - Inglaterra)
Deb Wal - Segredos de Londres - National Gallery (Londres - Inglaterra)
Fernanda Scafi - Tá indo pra onde? - Deutsches Historiches Museum (Berlim - Alemanha)
Nicole Plauto - Agenda Berlim - 03 museus para visitar na primeira vez em Berlim (Berlim - Alemanha)
Claudia Bömmels - Brasileiros Mundo Afora - Deutsches Technik Museum (Berlim - Alemanha)
Natália Gastão - Ziga da Zuca - Museu Judaico (Berlim - Alemanha)
Renata Inforzato - Direto de Paris - Hôtel de Soubise - o palacete que virou arquivo e museu - (Paris - França)
Fabia e Gabi - Estrangeira - Museu Picasso (Barcelona - Espanha)
Roberta Martins - Territórios - Museu Dalí (Barcelona - Espanha)
Adriana Lima - Da Porta Pra Fora - Museu DOX (Praga - República Checa)
Ana Cristina - ITALIAna - Galleria degli Uffizi Florença (Florença - Itália)
Deyse Ribeiro - Passeios na Toscana - Museu Cappella Brancacci (Florença - Itália)
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Diversos:

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Thaissa Chagastelles - Viagem com a Thathá - Auckland Museum - (Auckland - Nova Zelândia)
Marina Vidigal - Ideias na Mala - Angkor National Museum (Siem Reap - Camboja)
Nívia Guirra - Viagens Invisíveis - 5 Museus Palácios no Marrocos (Marrakech e Fez - Marrocos)
Claudia Bins - Mosaicos do Sul - 7 dicas para visitar museus com criancas





10 comentários :

  1. Não conehcia ainda, bem interessante. Abcs de Berlim, Claudia - Brasileiros Mundo Afora

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    1. Obrigada pela visita Claudia. Vale a pena conhecer!! Bjooo

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  2. Sensacional essa publicação! Adorei! E deve arrepiar ir a lugares como esse!!!! Repletos de história, da vivência de quem sofreu por muito tempo. Acredito que lugares como esse devem ter um "ambiente pesado", mas acredito também que ir a lugares como esse te enriquecem não somente com conhecimento e cultura, mas também com amor à própria vida e ao próximo também. Parabéns Li!

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    1. Que bom ver vc por aqui!! O lugar é sensacional Gi!! Esses lugares realmente tem uma energia mto forte, mas eu gosto muito de saber o que aconteceu, se tiver alguma história de pessoas entao, posso ficar no local por horas, lendo e imaginando!! Venha me visitar para irmos lá!! :)
      Bjooo

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  3. Que impactante! Estive em um campo de concentração quando fui à Alemanha e a verdade é que percebi que há uma tendência de se sensibilizar mais quando você conhece uma história pessoal, de uma vítima específica. A história desse russo é bem chamativa... incrível pensar como teve gente que conseguiu sobreviver mesmo com todas as adversidades.

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    1. Verdade Larissa, concordo com você!!
      Obrigada pela visita!! Bjooo

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  4. Não conhecia esse museu e achei super interessante. Em janeiro visitamos o momunto ao holocausto em Miami e foi muito impressionante. Meu marido é fascinado por qualquer assunto da segunda guerra mundial e com certeza vai querer visitar esse museu. Parabéns!

    Claudia @MosaicosdoSul

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    1. Oi Claudia, obrigada pela visita!! :)
      A Segunda Guerra também me fascina!! O museu realmente vale a pena, nao deixem de conhecer!! E quando estiverem por aqui, vamos tomar um café e conversar sobre a Segunda Guerra!!
      Bjooo

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  5. Também sou mais um fascinado pelos fatos que que ocorreram durante a Segunda Guerra. Parabéns por suas postagem. Durante minha andança pela Europa, queria conhecer mais lugares como estes. Muitos comentam.."ah, é sadismo", etc. Acho que isso é pura ignorância. Conhecer a história não é sadismo. Não estive na Polônia, mas dentre os lugares que estive, e que gostaria de citar, estão: O local de Potsdam-cidade colada a Berlim- onde Stalin, Churchil e Truman se reuniram para tratar da divisão da Alemanha. Outro foi o antigo bairro judeu de Praga, onde no museu, junto a antigas lápides, encontram-se trabalhos feitos pelas crianças que eram prisioneiras no Campo de de Concentração. Por último a casa onde viveu Anne Frank na Holanda.

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    1. Concordo com vc...acho que essa parte triste da história mundial deve ser conhecida sim e jamais esquecida!!
      Fui na casa da Anne Frank em Amsterdam, aliás ela morou um tempo aqui em Aachen (cidade que moro). Se te interessar, veja o link http://www.descobrindoalemanha.com/2014/10/um-passeio-por-onde-morou-anne-frank-em.html
      Obrigada pela visita!! Bjooo

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